Dica de Livro: "Prosa Delirante", de Vicente Portella

19/7/2018

 

 

"Onde aprender a odiar para não morrer de amor?", indagou, certa feita, Clarice Lispector, demonstrando seu receio às "dores do coração".  Mas o medo de morrer de amor não é uma preocupação comum a todo literato. O francês Victor Hugo, por exemplo, declarou que "vós, que sofreis porque amais, amai ainda mais. Morrer de amor é viver dele". E, quase o mesmo, validou nosso conterrâneo Mario Quintana, quando afirmou que "tão bom é morrer de amor e continuar vivendo".

 

Quando o assunto é mergulhar de cabeça em um grande amor as opiniões são as mais diversas. Mas, é fato que todos carregamos lembranças, sejam de amores consumados, sejam de paixões não correspondidas ou platônicas. Pois, segundo o filósofo Aristóteles, o homem é um animal social, portanto, dado a sentimentos profundos.

 

No livro Prosa Delirante, de Vicente Portella, Chiado Editora, Eduardo, um sexagenário excêntrico, delira, agoniza e morre em plena praça pública. Não, isso não se trata de um spoiler, o mesmo encontra-se escrito na primeira orelha do livro. Pois, o ponto máximo desta obra não está na morte do protagonista, mas, sim, em sua existência, que foi intensa em todos os sentidos, se entregando às mais tórridas experiências, experimentando amores que iam do terno ao avassalador, tudo em busca da validação de sua existência, de algo que não o deixasse se transformar na multidão de almas mortas, como lhe pareciam os demais.

 

A obra, escrita em prosa poética, é narrada em primeira pessoa, ao estilo flashback. Através de períodos breves e cadenciados, o autor brinca com a formalidade da língua, expondo uma beleza de texto que seduz lentamente o leitor. 

 

E, enquanto as lembranças desfilam na mente delirante do velho Eduardo, sua história decorre pari passu à história do Brasil, tendo como plano de fundo, as profundas mudanças políticas e sociais que vivenciou, como o mandato de Getúlio Vargas, o regime militar, entre outros acontecimentos históricos.

 

Sobre suas paixões pregressas, o sexagenário experimenta, nos últimos minutos que lhe restam, cada momento, doce ou amargo. Deixando-nos a sensação de que, independente de sofrer ou não por amor, o mais importante, de fato, é amar.

 

 

Sobre o autor:

Vicente Portella é escritor, compositor e poeta. Nasceu na cidade de Duque de Caxias, região metropolitana do Rio de janeiro, em 1966. Publicou mais três livros: "Luz da sobra", "Os Anjos do Pé Sujo", e "O Parto do Pensamento", em parceria com Elaine Caldas.

Fanpage: www.facebook.com/prosadelirante

 


 

 

Trecho do livro:
"Não sei se Amanda era Amanda. Nem me lembro do nome dela, na verdade. Mas aquele rosto, aquela boca, aquela ruga delicada na fronte escancarando a beleza dos olhos, aquela rua da Tijuca. Com certeza era Amanda. E se não era, era a lembrança dela. A miragem."


 
O livro pode ser adquirido através do site da editora Chiado:
https://www.chiadobooks.com/livraria/prosa-delirante

 

 

 

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Andreia Marques é filósofa, escritora, poetisa, mediadora de leitura,  blogueira e designer.

Autora dos livros "Bééé Daqui... Bééé Dali!", "Quibungo", ”Berenice, a Cacatua”, “Melina e as Borboletas Noturnas”, “A Velha Pisadeira”, “Corpo Seco” e "Corda, Cordão e Muita Imaginação!".

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