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Dica de Livro: "Pretérito Mais-que-perfeito", de Renato Gouveia


Algumas pessoas preferem não acessar o passado... Ou por medo das recordações e segredos supostamente já esquecidos, ou porque escolheram fazer parte do "time" que defende que é preciso olhar sempre pra frente, para o futuro. Daí costumam até usar, com frequência, o conhecido dito popular "quem vive de passado é museu". No entanto, é lá que estão vivas as experiências que construíram nossa real identidade. Então, como ignorar o passado?

Pretérito Mais-que-perfeito, livro de Renato Gouveia, editora Autografia, é uma obra atemporal. Embora trate do pretérito como peça fundamental do quebra-cabeça da vida, rememorando recordações muito patentes - o próprio autor afirma que pretérito mais-que-perfeito é o tempo verbal da saudade - fala, também, de presente e futuro, de circunstâncias que permeiam ou poderão permear nossa biografia em qualquer tempo.

Trata-se de uma coletânea de contos e crônicas, ao todo vinte e oito textos, sensíveis e bem humorados, sobre a realidade cotidiana, com toda sua graça e beleza de ser. A leitura é leve e, muitas vezes, divertida. Tive a experiência de não conseguir controlar o riso, dentro do trem, ao ler a crônica "Feliz Parabéns!". Tudo por causa da bendita vela de aniversário!

As ilustrações, presentes na maioria dos textos, foram realizadas por Marcia Vargas e ajudam a compor o tom bem-humorado.

Enfim, é uma obra que vale muito a pena ser lida, saboreada... Tem gosto de recordação, cheiro de saudade, cor de vida vivida de verdade. Impossível não se identificar, não rir e chorar, com a perfeição despretensiosa de cada lembrança compartilhada.

O livro encontra-se disponível no site da editora Autografia: http://www.autografia.com.br/loja/preterito-mais-que-perfeito/detalhes

Sobre o autor: Renato Gouveia nasceu em 1992. É bacharel de Tradução e Interpretação pelas Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU); Mora com os pais e o irmão, em São Paulo.

Sobre a ilustradora: Marcia Vargas nasceu em Marília, em 1948. Estudou na escola de Belas Artes de São Paulo e foi diretora de arte de várias agências de publicidade.

Trecho do livro: “O homem estava inquieto no ponto de ônibus. Ela tinha de estar lá naquele dia (mais do que nunca!) porque ele estava morrendo de saudade; estava decidido, determinado a puxar assunto; só não sabia ainda como, mas havia outro porém também: ele conseguiria sentar-se perto dela caso ela estivesse no ônibus? "Que ridículo!", ele pensava consigo mesmo. "Como posso estar morrendo de saudade de alguém que só vejo no ônibus às vezes e com quem nunca conversei?" Bem, ele estava disposto a mudar a parte do "nunca conversei".

Fonte: - Informações contidas no próprio livro.

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