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Dica de livro: "Meus Escritos – Poesias de uma vida", de Evelyn Monique

Atualizado: 11 de fev.


Fascina-me a ideia de dar vozes ao silêncio. Histórias precisam ser contadas e eu decidi contar a minha...”

Catarse é uma palavra de origem grega (Katharsis) que significa limpeza. Acredita-se que esse termo foi cunhado pelo filósofo Aristóteles, na Grécia Antiga e, atualmente, é empregado nas mais diversas áreas humanas, como a medicina e a psicanálise, com o mesmo sentido de expurgação.

Trata-se do estado em que conseguimos a libertação psíquica ou a superação de algum trauma através de um processo específico como a simples observação de uma manifestação artística. Aristóteles chegou a esse conceito analisando o público das famosas tragédias gregas, onde, segundo ele, a purificação da alma acontecia quando a plateia era exposta às mais diversas emoções, liberando seus próprios “demônios” internos.

Até hoje, muito se fala sobre a catarse que pode ser conquistada através da arte, uma fonte de grande expressão humana, que reproduz do belo ao provocativo. Esse processo de liberação da psique pode tanto acontecer para o expectador, quanto para o autor de sua obra, onde podermos notar, além de seu estilo, traços de sua personalidade, visão de mundo, estado emocional, etc.

Alguns livros nos dão essa impressionante sensação de acesso à natureza autoral. Enquanto lia Meus Escritos – Poesias de uma vida, de Evelyn Monique, tive a impressão de alcançar a alma da autora, que expôs sua história, em uma atitude bastante corajosa e altruísta.

A obra é uma coletânea de poemas escritos de modo bastante singular. Além da beleza dos versos, adentramos por caminhos de sua psique que expõe verdades de forma assustadora. Seus poemas transbordam força e transmutação, sensibilizam e fazem refletir... São territórios distintos entre si, que merecem ser visitados com bastante contemplação.

Coragem define o cerne desta obra. Em um mundo espinhoso e cada vez mais indiferente, como é difícil expor as próprias dores, colocar-se a mercê dos olhares e julgamentos. O medo paralisa, a dúvida machuca, mas, ainda sim, não há sensação mais libertadora que a de apropriar-se de si mesmo.

Bravíssimo, Evelyn Monique!

Sobre a autora:

Evelyn Monique tem 24 anos, nasceu na Bahia e mora em São Paulo. É graduada em Gestão de Serviços Jurídicos pela Universidade Paulista. Publicou poesias no jornal Tribuna Liberal e participou das antologias: "Quando a escuridão bate à porta", pela editora Sinna, e "Basta", pela PVB Editorial. Organizou e participou da antologia "Café e Prosa", lançada pela editora Louisiana.




Trecho do livro:Todos nós temos um período de dilúvio. Durante algum tempo, a dor foi o único sentimento que experimentei. Eu era tempestade, todas as manhãs choviam dentro de mim. Por fora, as pessoas me conheciam por calmaria, por dentro, eu me perdia em furação”.

Fonte

https://www.todoestudo.com.br/filosofia/catarse


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